segunda-feira, 21 de setembro de 2009

No final, a surpresa

Bendito câncer que fez eu entender que tu me amas. Foi assim que meu pai de despediu de mim após quatro meses de um forçado convívio diário no hospital. Nunca a gente tinha ficado tão perto. E pela primeira vez admiti que poderia perdoá-lo.

Meu pai era um fraco e passei por diversos divãs para aceitar que eu tinha tido este azar. Os consultórios, porém, não me livraram de uma assumida queda por homens que misturam narcisismo e baixa auto-estima em doses que têm capacidade de destruir até o ego de alvenaria do porquinho Prático.

Meu pai morreu num daqueles dias de inverno que faz a gente implorar pelo calor. Junto com ele tentei enterrar nossa história de desamor. Mas por muitos anos pensei se aquela frase do bendito câncer não foi seu recurso cênico final para morrer com a certeza que eu o tinha perdoado.

Uma frase premeditada, dita minutos antes de morrer. Meu pai seria capaz de ser tão manipulador? Acrescentar uma carga dramática extra à sua morte só para fomentar a minha culpa? Hoje, eu tenho certeza que foi um ato de generosidade com a intenção sincera de me libertar de qualquer culpa. Meu pai conseguiu me surpreender até no final, quando eu não esperava nada mais dele

Dedos

A história do dedo passou o dia distraindo Sarah. O dedo que ela gosta e ele desconfia. Diz que vicia. E que ela não devia.

Sarah nunca tinha ouvido isto de um homem, mas achou uma abordagem, no mínimo, original. Ela realmente goza mais rápido se usar o dedo. Pode ser o dele, mas ela prefere o dela. Melhor ainda se os dedos forem dos dois.

Mas o namorado de Sarah quer tirar o dedo do primeiro plano e colocá-lo no seu devido lugar. Pensa que ela se masturbar durante a transa meio que queima etapas. E ele prefere o caminho completo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pra sempre

Eu sempre espero de ti aquilo que jamais terei, eu sei, mas um desejo incontrolável de que as coisas fossem diferentes me faz sempre esperar mais do que eu devo. Toda vez eu entro jurando que será a última e saio apenas pensando na próxima.

Hoje, a cena estava se repetindo, mas de repente eu vi que não tinha mais condições de me ocupar de ti. Entre ataques de choro e de riso, de raiva e de cansaço, a gente se separou. Pra sempre.

Namorado

este namorado
foi um achado
ele canta
transa
e dança
bem
já não quero
viver sem

Foi bom te conhecer

Abro os olhos e não penso puta que pariu, tá na hora de levantar, só me viro pra encaixar melhor em ti. Foi bom te conhecer. Foi bom passar a noite contigo. Foi bom acordar colada. Foi bom arriscar.

Tomo café com calma, leio o jornal meio displicente, penso ti, entro no banho e volto a pensar na sorte de um amor tranqüilo com seu lado tsunâmico.