segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Explosão

Há muito tempo Suzana não se sentia tão de saco cheio de tudo. Ela, que adora o clima festivo do natal, final de ano e férias, desta vez está desanimada. Até tá pensando em pedir uma telepizza para a ceia do dia 24. O importante é champanhe e acompanhamento de boa qualidade e isto ela já providenciou.

Suzana não sabe como a situação chegou a este ponto; ela sempre procurou ser uma pessoa do bem, solidária, compreensiva e todas estas coisas que a gente sabe que tem que praticar na vida. Mas cansou. Hoje, as únicas pessoas que ela admite fazer concessões são seus filhos. Ah, e para o seu treinador também.

Suzana tá com uma raiva em ebulição dentro dela. E isto é perigoso. Ela tem vontade de fugir, de mandar todo mundo tomar no cú - isto ela tá fazendo - e de dizer todas as verdades que as pessoas precisam ouvir na cara delas - isto ela tá fazendo com moderação. E, talvez por isso, a fúria seja tão grande.

Suzana vai tentar reagir; ela não quer sucumbir ao desprezo pela humanidade. Só que, nesta hora, ela tem vontade de pendurar uma placa de advertência no pescoço: mantenha distância, a gota d'água pode sacudir placas tectônicas e nada mais será como antes.

Um comentário:

alcides disse...

cuidado.
explodir faz mal pra saude.